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Papo de Empreendedor: com um toque criativo, leve e motivador, para inspirar quem pensa em empreender — e também para provocar boas risadas e reflexões profundas

  • tdcriativo
  • 20 de mar.
  • 5 min de leitura












1. Quem é você?

Eu sou Juliana, brasileira, mulher, mãe da Lia, esposa do Thiago, vivendo há 9 anos na Irlanda.Sou fundadora da Escola Mulher Sistêmica, um espaço onde mulheres retornam ao seu lugar no ciclo da vida, curam padrões ancestrais e reaprendem a ser mulher nesta nova era.

Eu trabalho com consciência feminina, leis naturais de cooperação da vida, espiritualidade com maturidade… e com a certeza de que empreender também pode ser um caminho de alma, não só de performance.

2. Em que momento você percebeu que queria empreender e como você escolheu esse nicho?

Eu percebi que queria empreender quando entendi que eu não cabia mais em estruturas prontas.Eu queria servir algo maior do que uma função, eu queria servir um chamado.

O nicho não foi uma escolha de mercado.

Foi uma escolha de destino.

Eu vi mulheres exaustas, desconectadas, tentando “dar conta” de tudo… e senti que existia um retorno necessário: ao feminino natural, à ancestralidade, ao corpo, ao ciclo da vida.

A Escola nasceu disso: de uma necessidade coletiva.

3. Qual foi seu maior medo ou desafio nesse processo?

Meu maior medo durante esses 8 anos empreendendo na Irlanda foi sustentar a profundidade num mundo que pede superficialidade.

Empreender com espiritualidade responsável e consciência feminina não é “vendável” no modelo tradicional.

O desafio foi confiar que existe público para o que é verdadeiro, e que o caminho pode ser construído sem trair a alma.

E, ao mesmo tempo, como esse mercado ainda não está pronto para receber uma entrega tão significativa sem que a gente precise se adequar a ele do ponto de vista prático, foi um desafio enorme lidar com coisas como estipulação de preços, questões fiscais ligadas à receita e também uma estratégia de oferta.

Era muito difícil para mim encontrar sentido em tudo isso diante daquilo que eu gostaria realmente de entregar com bastante genuinidade.

Mas também foi muito importante perceber, nessa jornada de sete anos empreendendo fora do Brasil, o quanto é essencial aprender a pensar estrategicamente sem fugir do propósito inicial.

4. Qual foi o maior perrengue da sua jornada empreendedora que hoje você conta rindo (mas que na época quase te fez chorar)?

Na verdade, eu não tive um perrengue específico isolado, daqueles que viram uma história engraçada de um dia só…

O meu perrengue foi um período inteiro da vida.

Quando eu morava a três horas de Dublin, perto de Galway, a logística era realmente um desafio constante. Eu precisava dirigir longas distâncias, ir e voltar muitas vezes, dormir fora, porque eu também entrego muito na Holanda, faço eventos por lá…

E tudo isso num momento em que a minha filha era muito pequena, Lia tinha apenas 4 meses quando esses movimentos começaram.

Então era aquele perrengue danado: estrada, mala, evento, entrega, cansaço… e ao mesmo tempo um bebê no colo e o coração dividido.

O apoio do meu marido e das pessoas próximas foi fundamental.

E também foi um grande aprendizado sobre essa dificuldade real que é conciliar maternidade e missão profissional, especialmente quando o que você entrega exige presença e profundidade.

Esse perrengue durou bastante tempo, até que conseguimos nos mudar para este lugar onde vivemos hoje, um bosque, um santuário no meio da natureza aqui pertinho de Portlaoise.

Hoje eu consigo olhar para trás com gratidão, porque aprendi muito… e porque percebo que também existe algo de muito feminino nisso: construir enquanto se cuida, enquanto se gera, enquanto se atravessa.

5. Se você não tivesse essa empresa, qual outro nicho você tentaria?

Eu comecei minha vida profissional na advocacia, foram 11 anos no contencioso.

E ali eu vivi muito de perto essa parte mais conflituosa das relações humanas como conflitos familiares, interpessoais, profissionais… aquele lugar onde as dores aparecem de forma dura.

Isso me fez perceber, com o tempo, que eu queria fazer uma escolha diferente: passar longe do conflito como destino e me aproximar mais da paz como caminho.

Então, se eu não tivesse a Escola Mulher Sistêmica, eu certamente me dedicaria a algo que me permitisse uma vida mais tranquila, mais silenciosa, mais em harmonia.

Talvez eu me entregasse exclusivamente à escrita, como escritora, porque é algo que eu amo e que me conecta a um lugar de profundidade e paz.

E, com certeza, eu teria mais tempo livre… para estar mais na natureza, cozinhar com calma, viver o simples.

Mas, sendo muito honesta: fora isso, eu não me vejo fazendo outra coisa.

Porque esse trabalho não é só um nicho pra mim, é um chamado.

6. Qual é o seu lema de vida, uma frase ou palavra?

A frase que me guia é:

“A vida sempre encontra um meio.”

Eu aprendi isso ao longo de toda a minha trajetória, desde a minha história de origem, naquilo que vivi na minha família, até na vida que construí aqui fora, como mulher, imigrante, empreendedora, esposa e mãe.

A vida sempre encontra um meio porque nós não sabemos, até atravessarmos o processo, o que de fato vai acontecer… nem como as coisas, no final, vão se alinhar.

A vida é um mistério.

E talvez seja exatamente por isso que não nos é permitido saber tudo com antecedência.

O que nos resta e o que nos fortalece é justamente caminhar em direção ao desconhecido com confiança.

Confiar que aquilo que pulsa vida em nós sempre encontrará um meio de seguir.

Porque vida não é só biologia…

É tudo aquilo que nos atravessa, que nos chama, que insiste, que continua.

A vida nos atravessa. E ela sempre encontra um meio.

7. Hoje, o que significa sucesso para você?

Sucesso pra mim é o equilíbrio entre impacto, liberdade e verdade.

Financeiro importa porque sustenta a missão.

Liberdade importa porque me permite viver o ciclo e me posicionar sobre o que realmente acredito e acreditei, mulher empreender com verdade é bem desafiador!

Mas o mais importante é saber que o que eu faço ajuda mulheres a voltarem para si mesmas.

Sucesso é prosperar sem perder a alma.

8. Qual pequena vitória do dia a dia te dá aquela felicidade silenciosa que ninguém vê, mas você sente?

Quando uma mulher me escreve algo simples como:

“Ju, muito obrigada, eu acordei bem melhor e confiante hoje”

Isso ninguém vê, não vira gráfico, não vira número.

Mas é ali que eu sei que o trabalho está vivo.

9. Que hábito, escolha ou mudança de mentalidade transformou completamente o rumo do seu negócio?

Parar de tentar empreender como se eu fosse uma máquina.

Quando eu entendi que meu negócio também é cíclico, feminino, vivo… tudo mudou.

Hoje eu construo com mais presença, menos pressa.

E isso paradoxalmente traz mais resultado.

10. Se você pudesse dar um conselho honesto — sem romantizar a jornada — para quem deseja empreender, qual seria?

Empreender não vai curar suas inseguranças.

Vai revelá-las. Sempre digo que dentro de nossos maiores talentos estão nossas maiores dores e é por isso que nos tornamos experts nisso. O segredo é conseguir tornar isso em algo que se possa entregar, que possa servir ao todo.

Não é um caminho de glamour, é um caminho de responsabilidade.

Você vai precisar aprender a sustentar desconforto, silêncio, crítica e espera.

Mas se o que você faz tem verdade… uma hora o mundo reconhece.

E você cresce não só em números, mas em alma.

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