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Canetas emagrecedoras: emagrecer ficou mais fácil… mas e a saúde?

  • tdcriativo
  • 9 de mai.
  • 4 min de leitura

Texto: Nutri Marcela


Uma reflexão sobre os impactos físicos, nutricionais e emocionais do uso desses medicamentos


Hoje venho falar sobre as chamadas “canetas emagrecedoras”, um tema em alta em todos os lugares… nas redes sociais, nas consultas e até nas rodas de conversa entre amigas e família.


O movimento está tão forte que, em alguns casos, pessoas chegam a se sentir excluídas por não estarem usando, como se isso fosse necessário para fazer parte da sociedade , sem pensar, muitas vezes, na própria saúde.


Isso acaba reforçando um padrão de magreza que, muitas vezes, é inalcançável, irrealista e, principalmente, insustentável para a maioria das pessoas.


💉 O que são as “canetas emagrecedoras”?


Na verdade, esse nome não é o mais correto. Esses medicamentos foram desenvolvidos para o tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2, com indicação médica e acompanhamento adequado.


Eles atuam imitando um hormônio naturalmente produzido pelo nosso corpo, chamado GLP-1, que atua principalmente no intestino, ajudando a regular a fome, aumentar a saciedade e melhorar o controle da glicose no sangue.


E você sabia que alguns desses mecanismos também podem ser estimulados de forma natural? A qualidade da alimentação, o mindful eating e até a ordem em que consumimos os alimentos podem influenciar na saciedade e na resposta do nosso corpo.


👩‍⚕️ Para quem esses medicamentos são indicados?


Esses medicamentos, conhecidos como análogos de GLP-1, são importantes e trazem benefícios reais quando bem indicados.


Segundo diretrizes internacionais, sua indicação é, de forma geral, para pessoas com obesidade (IMC ≥ 30) ou sobrepeso (IMC ≥ 27) associado a comorbidades, como diabetes tipo 2, resistência à insulina, hipertensão, colesterol elevado ou doenças cardiovasculares.


E é importante deixar claro: não sou contra o uso dessas medicações. Pelo contrário, elas representam um avanço importante na saúde e podem trazer mais qualidade de vida para pessoas que realmente necessitam.


Mas fica a reflexão: será que todo mundo que está usando tem indicação?


⚠️ Pontos de atenção no uso


Vivemos hoje uma busca intensa por resultados rápidos, especialmente quando falamos de estética. E, nesse contexto, é essencial olhar para além do peso na balança.


A saúde mental, por exemplo, merece atenção. A relação com o corpo, com a comida e com a própria imagem pode ser profundamente impactada.


Outro ponto de alerta é o uso dessas medicações de forma inadequada, sem acompanhamento médico, adquiridas de forma inapropriada ou até mesmo falsificadas. Isso representa um risco real para a saúde.


🥗 O papel da nutrição nesse processo


Um dos efeitos dessas medicações é a redução do apetite, além de possíveis efeitos colaterais como náuseas, enjoos e constipação.


Mas isso levanta uma questão importante: como garantir uma alimentação com qualidade nutricional se estamos comendo muito menos?


Sem orientação adequada, a ingestão pode se tornar insuficiente em nutrientes importantes, como proteínas, vitaminas e minerais.


E aí começam a surgir consequências como queda de cabelo, fadiga, deficiências nutricionais e piora da qualidade de vida.


Além disso, a redução alimentar pode levar à perda de massa magra, ou seja, perda de músculo, o que impacta diretamente o metabolismo e a saúde a longo prazo. Esse processo pode aumentar o risco de sarcopenia e também contribuir para um reganho de peso mais acentuado no futuro.


🧠 Fome, comportamento e “food noise”


Muitas pessoas relatam que, com o uso da medicação, o chamado “food noise”, ou ruído alimentar, diminui.


Mas é importante lembrar que a fome é um sinal fisiológico importante do nosso corpo. Não devemos ter medo dela. O objetivo não é eliminar a fome, mas aprender a entendê-la e regulá-la.


E mais: essas medicações não tratam diretamente a fome emocional. Se não houver um trabalho de comportamento alimentar, esses padrões tendem a voltar quando o uso é interrompido.


🔄 O que acontece depois?


Um ponto que precisa ser considerado é o que acontece após a perda de peso.


O corpo, de forma natural, tende a reduzir o metabolismo como mecanismo de adaptação. Ou seja, manter o peso perdido pode se tornar um desafio maior.


Além disso, quando há perda significativa de massa muscular, o risco de reganho de peso aumenta ainda mais.


E isso nos leva a uma reflexão importante: se estamos falando de medicamentos utilizados para condições crônicas, será que não estamos diante de tratamentos que podem ser necessários por toda a vida?


💚 Uma reflexão final


Na busca por soluções rápidas, muitas vezes esquecemos que saúde é um processo.


Cuidar do corpo envolve alimentação, movimento, saúde mental e comportamento.


Não há problema algum em querer emagrecer. Mas é importante refletir: isso está sendo feito por saúde ou apenas por pressão estética?


Ser magro não é sinônimo de saúde.


A verdadeira transformação acontece quando conseguimos construir uma relação mais equilibrada com o nosso corpo e com a comida.


Como dizia Carl Jung:

“Aquilo a que você resiste, persiste. Aquilo que você aceita, transforma.”

Se você tem indicação para o uso dessas medicações, converse com seu médico e busque acompanhamento adequado.


Agora, se a motivação é apenas estética,

vale a pena refletir com mais cuidado. Nem tudo que parece fácil no início é sustentável a longo prazo.

Se você quer entender melhor como cuidar da sua alimentação de forma equilibrada, sustentável e com mais consciência, estou aqui para te ajudar.


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@marcela.holisticnutrition


Com carinho,

Nutri Marcela 💚

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